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Silêncio, por favor

Anna Luif, no agent-provocateur

Traga sua Luz - caminhada coletiva

Quem convida é o P.I - Política do Impossível e o Fórum Centro Vivo:

BAIRRO DA LUZ x CRACOLÂNDIA x NOVA LUZ

Um bairro, uma situação, um projeto de “interesse público”.

O que cada um quer iluminar nesse contexto?

Uma caminhada coletiva e iluminada pelo bairro. A nossa luz é um
pequeno mar de pontos móveis brilhantes, fluindo pelas ruas.

Então paramos um momento para compartilhar pensamentos
e ações sobre o tema.

Dia 15/05, quinta-feira.

Concentração às 18h, na Estação da Luz
(Rua Mauá, em frente a Rua Casper Líbero)

Caminhada às 19h

Ilumine seu caminho até a Estação da Luz.

Traga já acesas velas, lamparinas, luminárias ou lanternas.

Encontre outras luzes na estação.

Não esqueça! Faça o percurso até o local do encontro com sua luz própria acesa!

E a ponte, quem pariu?

Thomas Bayrle, 1980

Ela tem dois pais, uma mãe e uma porção de padrinhos ilustres.

Assim como a filha de outra famosa com a letra X, é uma celebridade instantânea desde os seus primeiros dias de vida.

Porque, como diria alguém que entende muito de pontes e viadutos: “ideologia é dinheiro no bolso ou comida no estômago” (Paulo Maluf, em O Espetáculo Democrático)

Cartões postais

Ciclistas inauguram cartão postal com piquenique em São Paulo

vídeo: ciclobr / trilha sonora: plá

foto: henrique parra / cmi

Ao contrário do que diz (este informe publicitário) esta matéria, os primeiros veículos a passar sobre a ponte estaiada Jornalista Roberto Frias (o Estilingão) tinham apenas duas rodas, não faziam barulho, nem soltavam fumaça.

No último sábado (10), por volta das 11h30, cerca de 40 ciclistas demonstraram o que é fluidez no tráfego, se anteciparam ao congestionamento de carros velhos e fizeram um piquenique no cartão postal.

Ao mesmo tempo, outras 40 pessoas explicavam para a  seleta audiência do andar superior que o Estilingão serve, na verdade, para catapultar os pobres para bem longe dali.

O piquenique só foi interrompido para a foto oficial, quando um barulhento desfile celebrou as políticas urbanas e sociais do século XIX, ainda vigentes em São Paulo de 2008.

fotos:
ciclobr
ecologia urbana - 1
ecologia urbana - 2
estilo ramy / cmi
henrique parra / cmi
kit / cmi
isaumir nascimento / cmi
luddista
pedalante
pollyrosa

relatos com fotos:
ciclobr
contraponto e fuga
ecologia urbana
gira-me
isaumir nascimento / cmi
o escriba

notícias:
Inauguração da ponte tem protesto por moradia e ciclovias (G1)
Ponte estaiada é inaugurada em clima de campanha (OESP)
Ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira é inaugurada em SP (FSP)
matéria sptv (globo)
matéria em vídeo da Folha de SP

E ponte tem estacionamento?

Em São Paulo tem.

Mas não é para deixar o carro e atravessar a pé até o outro lado.

Você também deveria andar de bicicleta, Rezso

Um anúncio de Budapeste. Uma pequena tradução (para o inglês) aqui.

Piquenique no estilingão

No próximo sábado (10) a cidade de São Paulo finalmente ganha um cartão postal à altura de seus seis milhões de motores: a ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira, carinhosamente apelidada de Estilingão.

Para comemorar a inauguração do cartão-postal que não permite a convivência entre as pessoas, acontecerá um piquenique. A perigosa arte de compartilhar espaço, comida e conversa está marcada para as 9h da manhã (e deve ir até o meio da tarde).

Venha de bicicleta, de skate, patins ou transporte público.

Traga a família, um prato de doce ou salgado, uma bebida e muita alegria.

Venha comemorar os 900 metros de concreto e aço por onde não passam linhas de ônibus, pedestres ou bicicletas!

O ponto de encontro é a praça José Anthero Guedes (av. Luiz Carlos Berrini), embaixo do Estilingão.

Um monumento à sociedade do automóvel
O custo de uma ponte estaiada
Parabéns São Paulo por mais um monumento ao congestionamento e à segregação. Seja bem-vindo Estilingão!!!
Estilingão, proteção contra avião
Bom, só para quem tem carro
Residencial Vladimir Herzog, de frente para a praça, de costas para a televisão e sem o barulho do Estilingão
Um estilingue mirado nos pobres

Residencial Vladimir Herzog: de frente para a praça, de costas para a televisão e sem o barulho do Estilingão

praça Arlindo Rossi, Jardim Edith, 2008 d.C.

Na semana passada, durante a vistoria às obras do Estilingão, o governo municipal anunciou a construção de 1016 unidades habitacionais em três favelas que estão na área da Operação Urbana Água Espraiada (Buraco Quente, Jardim Edith e rua Corruíras).

A Operação Urbana é decorrência do último Plano Diretor Estratégico. No projeto aprovado durante a gestão de Marta Suplicy, além do Estilingão, também constavam 8500 unidades habitacionais para substituir as favelas.

Com 7484 unidades a menos do que o previsto no projeto original, a criação das mil e poucas  moradias populares no coração da especulação imobiliária é uma conquista importante. Não só dos moradores, mas de todos que acreditam nas cidades como espaços de diversidade e convivência, e não de exclusão, medo e violência.

O exôdo causado pelos agentes da especulação imobiliária já provocou centenas de baixas entre os moradores. Muitos preferem sair do terreno onde vivem há décadas e receber uma indenização  que varia entre R$ 5 mil e R$ 8 mil do que apostar no enfrentamento com os construtores do alto luxo.

A favela do Jardim Panorama, vizinha ao nosso Castelo de Versalhes, já  foi esvaziada. Dará lugar a um bosque privativo, construído para para manter a bolha fechada e bonita  - ao menos para quem está do lado de dentro.

As operações urbanas são um instrumento previsto no Plano Diretor municipal para  garantir a atuação do poder público em áreas específicas. Seu principal instumento econômico são as Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção).

Em linhas gerais, funciona assim: a prefeitura abre excessões no planejamento de uma determinada região para que as construtoras possam fazer prédios mais altos ou utilizar um tipo de zonemento não permitido.

A construtura paga à prefeitura e recebe o certificado que autoriza a obra.  Com o dinheiro, o poder público realiza melhorias na região. A ponte Octavio Frias, por exemplo, teve 70% de seu custo bancado com dinheiro arrecadado com as Cepacs.

Segundo o anúncio da prefeitura, a favela do Jardim Edith, vizinha à nova ponte, terá 582 unidades habitacionais, construídas em um prazo de 6 anos.

A obra poderia ser batizada de Residencial Vladimir Herzog. Ficaria na esquina oposta ao novo prédio da Globo, de costas para o trânsito do Estilingão e com vista para a bela Praça Arlindo Rossi.

Frente de entidades protesta contra revisão do Plano Diretor
Favela vizinha a “cartão postal” será urbanizada (Terra)
Kassab anuncia a revitalização do entorno da ponte estaiada (ESP)
Prefeitura tentou retirar famílias da região (ESP - para assinantes)
Túnel fará ligação entre a Imigrantes e a Av. Roberto Marinho (FSP)
Quero ver quem vai me tirar (CMI)
Shopping dá R$40 mil para morador de favela se mudar (FSP - assinantes)

Um monumento à sociedade do automóvel
Estilingão, proteção contra avião
Bom, só para quem tem carro

Bom, só pra quem tem carro

arte: gira

Na semana passada o prefeito Gilberto Kassab visitou o Estilingão (ou ponte Octavio Frias Filho, que será inaugurada no próximo sábado, 10)  e anunciou mais algumas obras para a região.

Para a minoria da população que dirige automóveis ou motocicletas, serão mais 400 metros de asfalto até a avenida Pedro Bueno, orçados em R$ 35 milhões. Também foi prometido um  túnel até a Rodovia dos Imigrantes, orçado em mais de R$1 milhão, ainda em projeto.

Para os que voam de avião, o curto prazo (2010) reserva um “metrô de superfície” (VLT) ligando o aeroporto de Congonhas à Estação São Judas do metrô. Com 1,2 km, custará R$ 200 milhões e será bancado pelo Governo do Estado.

Aos cidadãos que não andam de carro, moto ou avião, continuará restando a via crucis dos ônibus em ruas congestionadas pelos motores privados. Nenhum corredor exclusivo de ônibus foi planejado nem para a atual avenida, nem para a sua continuação de R$ 35 milhões. Por outro lado, a futura ligação subterrânea até até a Imigrantes será exclusiva, mas para carros e motos.

A integração do ramal aeroporto do VLT (veículo leve sobre trilhos) à rede de transporte coletivo de alta capacidade  foi prometida para um futuro distante. Segundo a Folha de São Paulo,  esta etapa tem custo estimado em R$ 1,2 bilhão e contará com recursos dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal.

O trecho que ligará a ponte aérea Rio-SP ao metrô paulistano estaria dentro de uma rede VLTs que conectaria também a rodoviária do Jabaquara e linha da CPTM que passa pela marginal pinheiros (apelidada de “esmeralda”).

Melhoramentos cicloviários na região também não fazem parte da Operação Anti-Urbana.

Nos horários em que a avenida não estiver congestionada de motoristas perdendo os 45 minutos economizados com a nova ponte, a Água Espraiadas continuará ter o assustador limite de 70km/h para os motorizados  e nenhuma ciclovia, ciclofaixa ou mesmo sinalização de trânsito de bicicletas para estimular ou garantir o uso de bicicletas.

Túnel fará ligação entre imigrantes e avenida (FSP)
Congonhas terá três estações do novo metrô de superfície (FSP)
Inauguração da ponte é confirmada para o dia 10 (FSP)

Um monumento à sociedade do automóvel
Estilingão, proteção contra avião